Tuchê

Tuchê

/tuːˈʃeɪ/ - gamer, feeder não intencional, entusiasta de eSports, desenvolvedor web e streamer.

Estou passando por um período preocupante da minha vida. São 17 anos convivendo com a depressão. Tem dias que estou de boa, outros eu quero simplesmente sumir. Dias que quero virar noites acordado, outros apenas dormir. Eu procuro de toda forma não levar isso ao extremo, pois apesar de todos os problemas, e sei que por incrível que pareça, pessoas dependem de mim.

Me dói a falta de compaixão das pessoas. Julgam a depressão como algo tolo que pode ser contornado com meras palavras de animo e nos dizem para pararmos de besteira, pois algo de bom vai acontecer, que Deus está conosco. Outros dizem, “ah, são apenas dias ruins, logo vai passar”. Coisas obvias.

Tenho escutado isso todos os dias desde 29 de maio de 2001.

Foi quando tudo começou.

Uma data tão marcante que nunca vou esquecer, pois infelizmente mudou toda minha vida, radicalmente. Foi o dia mais tenso da minha história. O dia em que eu perdia aquele que mais se importava comigo, o dia em que perdi quem eu mais amava sem chances de apelação, meu avô. Tudo começou quando aquela ligação as 4 horas da manhã daquele dia 29 de maio aconteceu. Era o hospital. Meu avô havia falecido.

Antes desse dia, tudo já estava totalmente bagunçado. Eu já não ia bem na escola, logo eu que sempre tirei as melhores notas e sempre fui elogiado pelos professores. A causa era a internação do meu avô. Eu era muito jovem e sempre, sempre foi negada a minha entrada aonde estava o leito do meu avô, que não foi apenas um avô, foi meu único amigo durante toda minha infância, foi meu pai acima de tudo. Isso me deixava mal e ainda me deixa, saber que ele estava lá, muitas vezes sozinho, e eu não pude fazer companhia a ele.

Depois de sua morte vieram os problemas. Convulsões, queda de rendimento escolar, que já estava ocorrendo a mais tempo, os primeiros remédios de tarja preta, os primeiros apelidos por conta disso, eterno Gardenal, e por ai vai. Foi também quando comecei a duvidar de tudo. Duvidar da vida, da igreja, de Deus. Aos poucos deixei de cantar na igreja e fui me afastando, afastando. Dois anos depois, com 16 anos, eu já estava perdido no álcool e com amizades não tão amigáveis, que me jogaram no meio do vandalismo. Chegou um momento em que eu era um pichador. Eu havia me tornado o que eu sempre odiei na infância.

Ainda bem que isso só durou até o momento em que comecei a trabalhar sério, de carteira assinada, aos 21 anos. Bateu aquele medo de ser preso por vandalismo e perder o emprego em que eu havia batalhado tanto para conseguir. Pena que a depressão não teve pena de mim e fez com que eu deixasse aquela oportunidade partir.

Saudade de quando minha preocupação era acordar cedinho e ir pra escola, voltar e ligar a TV na Manchete.

Não sei por qual razão tudo veio a tona agora. Todos os sentimentos ruins, todas as decepções, as más escolhas… Nossa, se arrependimento matasse.

Tirei alguns dias de folga e tudo parecia estar voltando ao normal, mas as pessoas são más e te fazem relembrar tudo de novo.

Bem vindo a estaca zero.

Mas um dia eu consigo sair dessa lama. :disappointed:

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